Publicado em 29/10/2026
Por Bruno Rosa *
Parques e empreendimentos de experiências podem ampliar a atratividade dos destinos e criar razões para o visitante permanecer mais tempo. Para os meios de hospedagem, isso representa uma oportunidade de vender mais diárias e para a economia local, de ampliar o movimento em diferentes atividades. Defendo que o desenvolvimento desses atrativos seja tratado como parte do planejamento turístico, com cooperação entre empresas, incentivo público e respeito à identidade de cada lugar.
Parques de natureza, circuitos de aventura, atividades culturais e vivências gastronômicas podem motivar uma primeira viagem e oferecer novas razões para voltar. Em destinos de montanha como Monte Verde, no Brasil, esses atrativos podem complementar a hospedagem, a gastronomia e os passeios já existentes. A mesma lógica se aplica a destinos de outras regiões e países, desde que a oferta respeite sua escala e sua capacidade de receber visitantes.
Para a hotelaria, o interesse é concreto: parques e experiências que preenchem a programação com atividades relevantes criam razões para o turista permanecer mais tempo. Quando essa programação leva o visitante a acrescentar uma noite à viagem, hotéis, pousadas e chalés ganham a oportunidade de vender uma diária adicional. Por isso, considero estratégico que os meios de hospedagem participem da valorização e da divulgação dos atrativos do destino.
Uma família pode dedicar um dia a um parque, reservar outro para passeios e gastronomia e ainda querer tempo para aproveitar a hospedagem. Essa combinação dá fundamento à oferta de estadias mais longas. Os benefícios podem alcançar restaurantes, guias e o comércio, especialmente quando os empreendimentos contratam moradores e compram de fornecedores locais.
Converter esse potencial em mais diárias exige integração. A localização, a qualidade das atividades, o orçamento e o tempo disponível do visitante influenciam sua decisão. Alguns atrativos recebem principalmente visitantes de um dia. Para estimular pernoites, vale organizar roteiros de vários dias, combinar horários e oferecer reservas que facilitem a contratação de hospedagem e passeios. A permanência média e as diárias vendidas permitem verificar se a estratégia está funcionando.
“Um destino se fortalece quando oferece razões para chegar, permanecer e voltar"
Um exemplo brasileiro dessa perspectiva é a parceria que, em maio de 2026, a Embratur e o Sindepat firmaram para promover parques e atrações no exterior. Entre os objetivos declarados está ampliar a estada média dos visitantes internacionais pela inclusão de atrativos naturais e de lazer nos roteiros.
Tomando essa parceria como referência, defendo que a mesma lógica de cooperação e valorização dos atrativos seja aplicada ao turismo doméstico. O viajante brasileiro movimenta destinos como Monte Verde e deve ocupar lugar central nas estratégias de promoção e de ampliação da permanência. Essa é uma proposta complementar ao foco internacional do acordo: aproximar parques, meios de hospedagem e demais serviços também na oferta ao público nacional, com roteiros e experiências compatíveis com seu orçamento, seus interesses e o tempo disponível para viajar.
Essa diversidade precisa contemplar diferentes ritmos, idades e condições de mobilidade. Uma caminhada interpretativa, a observação de aves e uma atividade de aventura atendem a interesses distintos. Informações claras sobre duração, acesso, restrições e condições de participação ajudam o visitante a organizar a viagem e escolher experiências adequadas ao seu perfil.
Nos parques de natureza, a conservação deve orientar o projeto e a operação. Manejo da visitação, manutenção das estruturas, segurança e educação ambiental precisam acompanhar a oferta de atividades. Ruído, trânsito, água, resíduos e interferências na paisagem exigem atenção proporcional ao porte e à localização de cada empreendimento. A credibilidade da proposta ambiental depende de práticas verificáveis.
Cabe ao destino criar condições para que essa evolução aconteça. Poder público, entidades locais e empresários precisam coordenar ações de mobilidade, sinalização, qualificação e promoção. O calendário de atividades também pode ser pensado para diferentes épocas do ano, com propostas que ajudem a distribuir a demanda. A diversificação pode reduzir a dependência de períodos específicos, desde que exista público e que a oferta seja bem executada.
Na minha opinião, governos nacionais, regionais e municipais devem incentivar ativamente a implantação de atrativos turísticos, dentro de suas competências, com incentivos fiscais previstos em lei e apoio integral à viabilização dos projetos. Isso significa oferecer orientação técnica, processos administrativos claros e ágeis, melhorias de acesso e infraestrutura, além de apoio à qualificação e à divulgação. Parques e empreendimentos de experiências devem integrar as estratégias de desenvolvimento dos destinos, pelo potencial de atrair visitantes, prolongar estadias e ampliar as oportunidades para os negócios locais.
Defendo que esse apoio seja organizado como uma política pública transparente, com critérios acessíveis aos empreendedores. Geração de empregos, contratação e capacitação de moradores, conservação ambiental e integração com a economia local devem orientar essa avaliação. Os incentivos precisam respeitar a legislação e a capacidade financeira de cada governo, com acompanhamento dos resultados. O apoio institucional deve permitir que projetos responsáveis avancem com previsibilidade e cumpram as exigências técnicas e ambientais.
Considero igualmente prioritária a fiscalização de construções irregulares, fachadas em desacordo com os padrões estabelecidos, intervenções que descaracterizem a arquitetura local e irregularidades fiscais. A identidade de cada destino merece proteção, e a concorrência precisa ser justa para todos. Quem investe em projetos regulares, respeita as exigências urbanísticas e arquitetônicas e cumpre suas obrigações tributárias deve encontrar um ambiente em que essas mesmas regras sejam exigidas dos demais. Defendo uma fiscalização contínua e imparcial, com critérios técnicos, transparência e respeito ao devido processo, capaz de preservar o patrimônio local e combater vantagens obtidas pelo descumprimento das obrigações.
No Brasil, por exemplo, essa orientação é coerente com a Política Nacional de Turismo, que prevê estimular empreendimentos de entretenimento, lazer e outros atrativos capazes de prolongar a permanência dos turistas nas localidades.
O bem-estar de quem mora e trabalha no destino deve entrar nessa mesma conta. Sobrecarga nos acessos, serviços públicos insuficientes e condições precárias de trabalho comprometem a qualidade do lugar e do atendimento. O desenvolvimento turístico precisa produzir benefícios percebidos pela comunidade que sustenta a atividade durante todo o ano.
Na minha visão, fortalecer um destino exige oferecer motivos para chegar, permanecer e voltar, com benefícios para quem vive e trabalha nele. Parques e outros atrativos merecem apoio pelo que podem acrescentar à experiência do visitante e à economia local. Esse potencial se realiza quando há integração com a hospedagem e os demais serviços, infraestrutura adequada e regras aplicadas com justiça. É essa combinação que defendo como base para o desenvolvimento turístico.
“Cada experiência que merece mais um dia pode se transformar em mais uma diária.”
* Bruno Rosa é administrador público, empresário e especialista em desenvolvimento territorial turístico, com trajetória consolidada na interface entre gestão pública, planejamento territorial, turismo e desenvolvimento econômico. Atua no desenvolvimento do Monte Verde Parque, em implantação em Camanducaia / Monte Verde (MG).
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